Não sei nem como começar esse post... A verdade é que eu tinha imaginado que seria diferente do que aconteceu, mas Deus sabe de todas as coisas e talvez um dia eu compreenda os motivos pelos quais atravessei esse tempo difícil.
Depois de quinze dias, fui repetir o ultrassom conforme orientação do médico. Meu marido foi junto e eu estava muito feliz por finalmente poder ver meu pequeno bebê. Porém o médico não conseguiu novamente visualizar o embrião. Tinha apenas um saco gestacional com vesícula vitelina, medindo19 mm. O médico falou que aparentemente a gestação não estava evoluindo como deveria e que, para um diagnóstico correto, deveria esperar mais uma semana para refazer novamente o exame. Que tortura... Essa espera é a pior coisa que existe... Saí da clínica muito triste...
Passei as imagens e o laudo pelo whatsapp pra minha médica obstetra e ela disse que não tinha mesmo o que fazer nesse caso, que teríamos que ter fé e confiar.
Nessa semana que antecedeu o exame, decidi que ia aproveitar a gravidez, independente do desfecho que ela tivesse. Rezei muito, agradeci a Deus por ter me confiado um pequeno ser, que talvez não se desenvolvesse, mas que foi muito desejado e amado desde o primeiro momento. Conversei muito com aquela "alma" que havia me escolhido, agradeci e abençoei, disse em pensamento muitas vezes que o amava, que talvez não nos conhecêssemos, mas que jamais seria esquecido. Fui uma semana de despedida e preparação para momentos dolorosos... Porque minha intuição já tinha me alertado desde o início que algo não estava bem.
O exame seria na quarta-feira. No domingo de manhã, tive um sangramento tipo borra de café, bem escuro. Fiquei triste, mas não me desesperei. pedi conselho para meu cunhado obstetra e voltei a usar o Utrogestan.
No dia do exame, não quis que meu marido fosse junto. Senti que precisava estar sozinha para receber a notícia, não queria ter que lidar com a dor de outra pessoa nesse momento. Foi egoísta, eu sei. Mas foi assim que senti que deveria ser.
Esperei bastante, rezando e pedindo calma e serenidade a todo momento. Enfim, fui chamada. Eu tinha pedido para marcarem o exame com um outro médico, que além de ultrassonografista também é obstetra, extremamente humanizado. Eu sabia que ele escolheria bem como me falar o que deveria ser dito. Ele começou o exame e logo me falou: "-Infelizmente sua gestação não evoluiu. Você lembra do último exame? Que tinha uma bolinha, bem redondinha? Veja hoje, como está... Está irregular, "enrugadinha"... Consegue perceber?" Eu só mexia a cabeça... E ele continuou: "-Eu imagino que não deve ser fácil, mas saiba que isso pode acontecer, geralmente é uma seleção natural do próprio organismo, eliminando um feto que poderia ter alguma má formação..." Enfim... falou muitas coisas, mas eu só registrei isso. Pediu pra eu levar o exame na minha médica e decidir com ela o que faríamos. Aguardei o laudo ficar pronto e fui para o carro. Chorei tanto... Uma dor inexplicável... Li no laudo que estava com várias áreas de descolamento e o diagnóstico era "aborto retido". Fui para casa e fiquei ali, quietinha, querendo me enfiar num casulo. Mandei mensagem para meu marido contando e pra minha mãe, pedindo que pegasse o Léo na escola.
No dia seguinte, tinha consulta com minha médica. Ela é um doce de pessoa, me passou muita segurança e disse que a melhor opção seria a curetagem. Confesso que, antes da consulta, eu estava com medo de fazer o procedimento, mas a médica me explicou tudo tão bem, que saí decidida a fazer. Ela me orientou quanto ao jejum, internamento e tudo mais. Saí com os papéis e com a curetagem marcada para o dia seguinte às 7 h. Ainda consegui ir comprar um pijaminha novo, absorventes e fazer a unha do pé. Ainda não tinha caído a ficha...
Continua.




