Oi! Demorei, mas voltei! A festa foi muito legal, curti cada momento, fiquei super feliz por ter conseguido comemorar de um jeito mais intimista, mais familiar, mais "de antigamente". Ultimamente tenho visto cada festão de aniversário, em buffets caros e chiques, comes, bebes, decoração, lembrancinha, tudo do mais top, tercerizadão mesmo, tipo "encomendei, paguei, tá valendo". Respeito que faz dessa forma, cada um sabe o que faz e por que faz (ou deveria saber), mas eu andava com vontade de fazer diferente.
E o diferente aconteceu! Convidei poucas pessoas, fizemos a festinha em casa, o Leonardo participou de tudo, da escolha do tema à preparação das guloseimas. Fiz questão de arrumar tudinho eu mesma, até aluguei alguns itens de decoração, mas aproveitei muitos brinquedinhos dele, tudo pensado em detalhes. Não preciso nem dizer o quanto ele curtiu estar envolvido nos preparativos... Aproveitou a festa, brincou, correu, suou, comeu o que quis, ficou bem à vontade (quer lugar pra ficar mais à vontade do que em casa, cercado de pessoas do seu convívio?).
E tudo isso tem muito a ver com o título do post... Tenho estudado tanto nos últimos meses, minha mente e meu coração parecem estar passando por uma transformação, ou talvez um re-conhecimento mesmo, no sentido de conhecer novamente o que é mais importante para mim, para meu filho, para minha família, o que me faz feliz... Sem as pressões da sociedade, do que as pessoas dizem que é o certo...
Tudo começou timidamente através de uma página que eu me identificava no face aqui, uma lida de um texto lá, coincidiu com um curso de extensão na Universidade que alguém da escola onde trabalho teria que participar (e ninguém queria, eu me dispus), chamado "Autonomia e empoderamento das mulheres"... E aí me vi repensando tantas escolhas que já fiz, tantos dilemas que ainda vivo, e sentindo que ainda dá tempo de rever muita coisa e fazer novas escolhas.
Vou registrando aqui minhas novas descobertas, meus caminhos pra chegar até elas e compartilhar um pouquinho de tudo isso.
E, para encerrar, um pequeno trecho de um texto escrito pela Ligia Moreira Sena, do blog Cientista que virou mãe, que eu leio sempre, adoro de paixão e serve sempre de inspiração para as minhas reflexões enquanto mulher, mãe, profissional, ser humano:
Sim. Acho que estamos em um novo tempo. E acho que grande parte das dificuldades que tantos têm afirmado viver nos tempos atuais é fruto da crise que acompanha toda revolução de sociedades. Nenhuma sociedade pode mudar seus valores sem superar crises ou pontos de inflexão – ou de mutação...
Credito isso a uma maior consciência geral. A um esforço coletivo de problematização e enfrentamento.
E, também, às escolhas que muitos de nós têm feito inspirados pelo fato nada simples de: criar novos seres humanos.
Quais são os eventos capazes de mudar profundamente nossos valores e nossas vidas? A morte de alguém muito amado. A notícia de uma doença grave. A cura dessa doença. Uma perda importante. E um nascimento.
Nascimentos mudam gente. Todos os dias. E embora não mude a todos, muda muitos. E têm mudado cada vez mais. O avanço da luta pela humanização da saúde, especialmente da humanização do nascimento, tem ajudado a impulsionar uma grande transformação de valores. De valores que ajudam a tornear talvez a mais importante transformação individual e coletiva: a transformação EMANCIPATÓRIA.
Emancipar é tornar livre. É tornar independente.
Especialmente, tornar-se livre e independente dos valores esmagadores do consumo, da tecnocratização do cuidado, da coisificação da vida e do ser, da maquinização do viver, da patologização do normal, da medicalização dos afetos, da normalização da vida, da padronização da mulher e do homem.
Emancipar é um conceito que abraça o filosófico, as questões de gênero e a dimensão política. Mas que em última análise traz consigo um grande valor: ser livre. Libertar-se. [...]
Não há emancipação individual. Ela só é real e verdadeira em seu elemento coletivo. Um que saia da média, da mediana, é apenas desvio padrão, diluído, anulado – por vezes retirado por sorteio... Mas muitos promovendo novos valores, novos números, são capazes de alterar os valores de centro da curva.
“Pessoas que se enquadram cegamente no coletivo fazem de si mesmas meros objetos materiais, anulando-se como sujeitos dotados de motivação própria. Inclui-se aí a postura de tratar os outros como massa amorfa. Uma democracia não deve apenas funcionar, mas sobretudo trabalhar o seu conceito, e para isso exige pessoas emancipadas. Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados”




